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Arte em tempo de Coronavírus (36)

Arte em tempo de Coronavírus (36)
09/04/2020

A técnica da assemblage tem um de seus primeiros paradigmas em Jean Dubuffet, no inicio dos anos 1950, quando o termo passa a ser utilizado para definir trabalhos em que diversos objetos são justapostos. A ideia geral é que a obra de arte pode justamente surgir desses conjuntos em que procedências distintas valorizam a imagem final.

Zilamar Takeda, no seu trabalho com tecidos e feltro, utiliza-se algumas vezes desse recurso, o que permite novas leituras, pois a artista, justamente por trabalhar com um material essencialmente natural, sempre está, de maneira mais ou menos consciente de acordo com a obra, alertando para contínuas transformações daquilo que transforma.

Quando as lãs que modela surgem associadas a outros elementos, é possível mergulhar em outras esferas e dimensões. Uma delas é a conversa entre a tecnologia e aquilo que a natureza oferece. Isso se dá por meio das ramificações dos nossos neurônios cerebrais ligados ao pensamento e pelos batimentos cardíacos que protagonizam a vida.

No presente momento que vivemos, todas essas instâncias se mesclam de uma maneira visceral – e passam muito pelos conceitos de saúde mental e física. As obras que ela apresenta evocam órgãos do corpo humano, suas pontes com a tecnologia e, em tempos de coronavírus e COVID-19, somos a todo momento confrontados com esses limites e interações.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.