
Muitos acreditam que a música seja a mais universal das artes, já que não enfrenta barreiras de idiomas ou necessita de referências visuais que contextualizem um trabalho. Além disso, as harmonias e melodias têm na matemática um dado importante; e esta ciência também supera barreiras culturais.
A discussão pode parecer estéril, mas surge ao se observar o trabalho "Vienna Opera - the emptiness of the Theater", que integra o projeto "Urban Art", de Fernando Priamo. A partir de sobreposições fotográficas, temos uma visão diferenciada de um dos mais célebres teatros do mundo. Vazio, alude ao atual momento em que as apresentações estão canceladas.
A técnica que o fotógrafo utiliza cabe muito bem, de uma maneira simbólica, no presente momento, pois o que o artista propõe é ver o mundo ao redor de múltiplas formas simultaneamente. Isso faz com que o cotidiano ganhe novas dimensões físicas, em termos de imagem, e mentais, em termos de interpretações do que se enxerga.
A Ópera de Vienna pode estar, nesse raciocínio, vazia, mas a sua música reverbera. E os intérpretes, embora ausentes da foto, continuam, seguramente, a praticar. E o público, que se encanta com todo esse movimento, permanece a ouvir música (em casa). Em breve, os artistas, a sua produção e os ouvintes vão novamente se encontrar em uma festa de sentidos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.