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Arte em tempo de Coronavírus (30)

Arte em tempo de Coronavírus (30)
07/04/2020

 

Muitas vezes se diz que uma característica de uma obra visual é o fato de ela não ser narrativa, pois, perante uma determinada imagem, vê-se um momento congelado. Imagina-se o que ocorreu antes dela e depois. E isso é um fato em boa parte das produções. No entanto, na arte medieval, por exemplo, as imagens funcionam como histórias em quadrinhos.

Por meio de afrescos, retábulos e séries de quadros, os fiéis aprendiam e se encantavam com as narrativas bíblicas das vidas dos santos. Eram HQs de ensino religiosos. A arte chamada naif, por sua vez, segue passos parecidos, principalmente quando coloca, na mesma pintura, diversas cenas que se conectam.

Na presente obra de Rosângela Politano, o desmatamento, a poluição e o extermínio das populações indígenas, ou seja, o desrespeito ao meio ambiente e aos nossos semelhantes, teriam levado à mortal procissão de pessoas mascaradas. Existiria uma válvula de escape? Talvez a ida para outros planetas perante uma Terra em crise...

A ideia de que recebemos um Paraíso e que não soubemos desfrutá-lo é muito forte nas imagens da artista radicada em Socorro, SP. Em relação ao futuro, há incógnitas. O que desperta fascínio é verificar como a obra possui uma narrativa interna que comporta múltiplas leituras, num portal de interpretações para um momento histórico que tem muito a ensinar.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.