
Criar é um universo que permite ir além do que se vê para penetrar em uma nova realidade, plena de sentidos ambíguos e mistérios constantes. Torna-se assim possível escancarar a capacidade de imaginar, penetrando em esferas que o cotidiano geralmente não permite alcançar. Mas esse processo não é simples. Envolve uma atenção permanente.
O artista precisa funcionar como um canal receptivo ao mundo. Isso significa estar sempre alerta. Quando surgem composições como as de Zilamar Takeda, a mente de quem observa também entra em uma jornada de progressivo afastamento da realidade aparente. E esse distanciamento momentâneo propicia um posterior retorno mais consistente ao dia a dia.
O uso de lãs e tecidos da artista em suas composições apresenta diversas facetas de interesse analítico. Uma delas está nas composições tridimensionais, em que as formas tanto podem ser vistas como abstrações ou como estranhos personagens. Um segundo elemento é a cor, pois a conversa entre distintas tonalidades traz um diálogo entre emoções e estados de espírito.
No presente momento de impacto do coronavírus e da COVID-19, as maneiras de Zilamar Takeda lidar com o espaço apontam para nossas dimensões interpretativas do que está ao redor. É a nossa capacidade de lidar com o que percebemos do mundo que nos torna, num momento como este, mais ou menos mentalmente saudáveis para prosseguir a jornada.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.