
Temos difíceis hoje e incertezas inquietantes amanhã. Essas duas variáveis se fazem muito presentes. Os trabalhos de Zilamar Takeda com arte têxtil são manifestações justamente desse movimento duplo que não se sabe ainda em que direção irá. Há mais perguntas do que respostas e, talvez, uma única certeza: todos sairão diferentes da atual realidade.
Palavras muito ouvidas, como “transformação”, “reconstrução” ou “reforma” necessitarão de muita coragem para serem praticadas. O fato é que todos precisaram, com o coronavírus e a COVID-19, abandonar qualquer zona de conforto e, assim que os piores momentos passarem, haverá necessidade de readaptações.
Novas formas de ver o mundo serão necessárias com os aprendizados desta situação. E, seguramente, o medo, a dor, a doença e a morte serão as bases da construção de esperançosas novas tramas para costurar o futuro. O conceito de tecer e re-tecer caminhos será muito mais que uma metáfora. Constituirá um novo modo de vida.
Zilamar Takeda trabalha justamente com tecidos e feltragem. A pressão com as mãos sobre fibras de lã leva a distintas configurações. Aponta para corações doloridos e ensanguentados, mas também vibrantes, com as veias latejantes prontas para abrir novas portas simbólicas e erguer edifícios de saber mais criativo e conhecimento mais solidário.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.