
A cor é uma forma de expressar sentires e pensares. Perante uma realidade confusa como a atual, em que se está mergulhando em uma seara pouco conhecida, em que o aprendizado se dá dia a dia e com algumas poucas referências do passado, a arte é um caminho de ampla reflexão. Trata-se de um campo em que a saúde mental pode ser mantida.
Mônica Vianna apresenta uma imagem que funciona como uma expressão do ser em tempo de cornavírus. Existe uma explosão de cor, que conduz para um vórtice na parte central da tela, como se fosse possível esquecer tudo o que está ao redor para vivenciar intensamente esse momento de plenitude, de entrega a uma percepção perplexa do viver.
Na parte inferior, surgem traços que podem ser interpretadas das mais diversas maneiras, sejam pessoas, seres indefinidos ou formas que estão em meio a um vulcão de emoções. A obra parece se conectar com cada um de nós porque traz uma carga de energia psicológica e visual que parece estar crescendo dentro de cada indivíduo, pronta a explodir.
Na proporção que as informações sobre a pandemia se acumulam, a ansiedade cresce. Algo que parecia longe, na ancestral China, passou para a Itália, nação ligada aos fluxos de imigração para o Brasil e se aproxima de cidades, barros, trabalhos e famílias. Impossível não sentir que estamos no turbilhão de emoções e de cores que Monica Vianna apresenta.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.