
Arte em tempo de Coronavírus (17)
Quando se pensa em imagens vinculadas ao coronavírus e à COVID-19, as associações que surgem em primeiro lugar estão marcadas pelo sofrimento e pela dor. Não poderia ser diferente. É impossível ficar inerte perante algumas situações, como as dos caminhões levando mortos na Itália ou os corpos embrulhados nas ruas equatorianas de Guayaquil.
A presente imagem de Soledad da Rosa aponta para a possibilidade de que a cor renasça na vida de todos assim que esta situação pandêmica for contornada/controlada. E, como sabemos, além da questão econômica, haverá – já há, na verdade – infinitos aspectos econômicos a serem enfrentados.
E as soluções não serão fáceis. Quando a possibilidade real de uma Terceira Mundial, com a sua inevitável mortandade, parecia uma bravata política, milhares de mortos estão ocorrendo por um microscópico vírus, que foi ocupando o mapa mundial como um líquido derramado em um tabuleiro, com um poder de destruição que abre e abrirá feridas difíceis de cicatrizar.
As cores da artista apontam para a possibilidade de um ressurgimento do qual talvez saiamos mais sábios e solidários, pois a sociedade global terá que aprender que, de uma crise de saúde pública e econômica como esta que atravessamos, somente se sairá com muita solidariedade. As tonalidades fortes e otimistas de Soledad da Rosa transmitem essa esperança.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.