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Arqueologia cerâmica

Arqueologia cerâmica
31/03/2020

As cerâmicas de Lia Freitas apresentam uma característica essencial: a arqueologia, pensando esta como o entendimento de uma situação, seja passada ou presente, a partir de objetos. O interessante é que as peças a serem estudadas, no presente caso, são aquelas que ela mesma cria, em ações técnicas caracterizadas pela sobreposição de elementos.

Nesse sentido, uma das obras mais impactante da artista é “Cracas”, que se refere aos exoesqueletos calcificados que se acumulam em rochas, nos cascos de embarcações ou em baleias. Essas camadas, repletas de acúmulos e de reentrâncias constituem uma espécie de labirinto visual, pleno de possibilidades de interpretações.

As obras da artista caminham justamente por essas veredas de compreensão, em que o impacto visual se dá justamente pela diversidade. Mas, nesse impacto do que é diferente, existe uma uniformidade, que está na capacidade da convergência de soluções técnicas que dão unidade à peça.

O processo criativo gera encanto pela magia instaurada. O resultado que surge é formado por elementos que podem ser individualizados, mas é na sua soma, no conjunto, que se constitui uma arqueologia visual, documento da fantástica e própria civilização que Lia Freitas, com sua técnica, instaura.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.