
Um dos principais símbolos dos tempos que vivemos vem sendo a máscara cirúrgica. Começou a ser utilizada em todo o mundo, de formas nem sempre recomendadas pelos profissionais de saúde, e passou a se tornar uma espécie de símbolo da prevenção contra o coronavírus e a COVID-19, assim como de responsabilidade com relação à sociedade como um todo.
Afinal, usar a máscara, principalmente quando se teve contato com alguém infectado, significa ter a consciência de dificultar ao máximo passar o agente infeccioso adiante. Isso é uma atitude louvável, pois significa ter um olhar carinhoso e solidário em relação ao outro, em um momento que demanda, acima de tudo, a união entre as pessoas.
A imagem de João Generoso coloca a máscara sobre uma figura que, pelo estilo e suporte, alude às figuras dos afrescos italianos. Isso leva à obra a ganhar mais uma conotação, já que aquele país é um dos mais afetados pela doença, ainda mais no que diz respeito ao número de mortos, principalmente pessoas idosas.
Há poucas duvidas de que a máscara será um dos ícones futuros do momento presente. Colocá-la sobre um trabalho plástico aponta para uma reflexão sobre como a arte se insere no calor do instante em que se vive – e usar máscara, algo que não fazia parte da cultura ocidental, tornou-se um fato que vai marcar provavelmente o ano 2020 e talvez os vindouros.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.