
A cerâmica é uma arte riquíssima em possibilidades, principalmente quando existe um progressivo caminhar de visões utilitárias, como pratos, copos e objetos decorativos, para o universo das instalações, onde a tridimensionalidade do trabalho a partir da argila pode ganhar esferas insuspeitadas.
Ao realizar o esboço de seu projeto sobre o momento em que vivemos, impactados pelo novo coronavírus e pela COVID-19, doença que se alastra pelo planeta, o artista plástico Chris Acyoli cria justamente uma analogia entre a Terra e o agente infeccioso. Ambos são redondos e, entre os pinos tristemente famosos da representação do vírus, surgem símbolos.
Sobre os continentes, que aparecem literalmente em um mundo invertido, de ponta-cabeça, colocou flores, um cifrão, uma cruz e uma pessoa presa. São aspectos de um mundo em transformação, em que a beleza e sua multiplicação, o capital e seu poder; a religiosidade e a morte; e a restrição da liberdade pelos mais variados motivos convivem.
Na Antártida, agora na parte superior do globo terrestre, localizam-se pássaros que voam pelo fio que sustenta a esfera no espaço. Portanto, mesmo em um mundo ás avessas, haveria ainda e sempre a possibilidade de transcender, de galgar o espaço como fazem as aves, ícone da esperança de que a possibilidade dar a volta por cima, mesmo nas piores situações, é possível.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
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