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Construção e desconstrução

Construção e desconstrução
25/03/2020

É comum surgir entre os amantes da arte uma indagação: como avaliar um trabalho? Existe, principalmente dentro da tradição ocidental, uma preocupação muito forte de estabelecer graus de qualidade e fórmulas mágicas de raciocínio para diferenciar o joio do trigo, se me permitem a metáfora.

Uma artista visual como Neusa Barbosa indica de maneira bastante consistente como a principal questão não está numa avaliação baseada em paradigmas fixos, mas sim num processo de estudo e de pesquisa que vai ocorrendo ao longo do tempo. Para se chegar a uma obra, houve todo um histórico. E isso fascina quem faz e quem admira.

O conceito de que todo trabalho tem uma história encontra seus fundamentos exatamente nessa convicção. Se a artista vai desenvolver um determinado assunto, melhor geralmente será o resultado na medida em que se busca um embasamento.  Se o resultado é abstrato, quase sempre os de melhor qualidade surgem de um caminho de decomposição formal.

A ideia de desconstrução é muito forte nesse caminhar. O saber fazer bem feito, entendendo-se como a arte realista e figurativa, dá as bases para, valendo-se de princípios de composição, forma, cor e tonalidade, atingir a almejada qualidade, aquela que não se explica tão racionalmente quanto se gostaria, mas se sente perante obras como as de Neusa Barbosa.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.