
A nossa civilização pode parecer para muitos que está ruindo. E talvez até esteja. Mas, em meio ao desperdício e à incerteza, existem muitos vestígios. É justamente deles que Thiago Prado se alimenta. Sua pesquisa visual caminha por um universo que poucos gostam de ver. De fato, muitos simplesmente fingem até que não existe.
O artista, que envereda pela pintura, pela fotografia e pelo cinema, traz imagens caracterizadas pelo universo urbano. É como se a civilização deixasse pegadas, das quais ele se apropria em diversos processos de composição. Instaura assim um retrato caracterizado por pichações, marcas nas paredes e um todo pleno de interrogações para quem olha.
As obras que surgem desse processo são muito mais um consciente e inconsciente aglomerado de perguntas do que uma proposta de respostas. Sua arte faz emergir o desprezado e esquecido. O submundo se torna o protagonista e ver isso pode ser, para alguns, desagradável. Mas esse retrato que é mostrado do mundo nos faz pensar sobre os seus próximos passos.
Os restos a que Thiago Prado dá vida são mais do que registros. Podem ser vistos como proposições de construção e reconstrução, pois a ordem interna que deles emana surge de algo aparentemente caótico. Mas é nessa parente desordem que surge o momento de inpira-ação de uma nova reordenação. É da beleza dos restos que o todo pode se rearticular.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.