
Muitos poucos, acredito, poderiam imaginar que chegaríamos ao ponto de viver o atual cenário mundial perante uma pandemia. Situações de confinamento e de medo se tornaram uma realidade cotidiana e afetarão, mesmo quando tudo passar, crianças, jovens, adultos e idosos. O fato é que o mundo não será o mesmo depois do coronavírus e da COVID-19.
As artes visuais, de um modo ou de outro, vão refletir sobre o tema. Há aqueles que precisam de um tempo maior de amadurecimento; e os que precisam de alguma maneira se manifestar já. O artista plástico Rico Pace, na imagem que ilustra este post, traz três elementos fundamentais para pensar: a imagem ao fundo, as cruzes no solo e as pessoas.
A imagem dominante do fundo tornou-se um ícone deste momento inaudito. Aquelas visões que tivemos em placas de microscópios, em computadores mais avançados ou em filmes de ficção científica se tornaram uma constante nos informes de todas as mídias. A biologia tornou-se nossa companheira – e não por escolha, mas por necessidade.
Os outros dois elementos se relacionam intrinsecamente. A morte se tornou uma onipresença. Embora médicos argumentem estatisticamente que a doença é menos letal que outras, qualquer morte, por única que seja, é motivo de lamentação. E aí entra a força humana de levantar a cabeça, utilizar a ciência e continuar. É dessa energia que precisamos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.