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Apocalíptico Urbanoide

Apocalíptico Urbanoide
22/03/2020

A arte tem um importante papel. Ela nos leva a pensar e repensar o que chamamos de realidade, levando-nos a sair da chamada zona de conforto. O conceito de criar envolve a ideia de que criar é gerar um movimento interno em si e no outro. É nessa inquietação de quem faz e de quem recebe a obra que o processo se realiza.

A obra “Apocalíptico Urbanoide”, de José Lisboa, traz esses diversos elementos no resultado final apresentado. Ele não é agradável ou facilmente consumível em um primeiro momento porque ali é instaurado um incômodo. Torna-se interessante pensar os motivos que levam a isso. Talvez o mais evidente esteja nos contrastes, gerando uma desarmonia que interroga.

Existe, por exemplo, a discussão proposta entre uma figura circular e diversas linhas retas, a maioria em tom escuro. Há também rostos de pessoas comuns mesclados com a silhueta de caveira. Aspectos do viver e do morrer estão próximos e conversam. Essa fronteira tênue aponta os limites mesclados entre este mundo e outros, existentes ou imaginários.

A ideia do “Apocalíptico” aponta para um final dos tempos, mas também se pode pensar no termo como uma transformação, ou seja, após o fim, haveria um recomeço. O “Urbanoide”, por seu turno, indica para a dimensão citadina como a mais apropriada para o caos. Discutir essas questões movimenta o cérebro. Que bom que a arte desempenha essa função.  

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.