
Nenhum artista chega a um estágio aprimorado da sua criação sozinho. Mesmo que ele se considere ou seja considerado autodidata, a sua trajetória provém de algo que podemos chamar, por falta de nome melhor, de uma formação do olhar. Isso significa uma somatória de elementos que inclui aquilo que foi visto, lido, vivenciado e (por que não?) imaginado.
Paulista radicado em Mato Grosso do Sul, Luiz Xavier apresenta características que colocam seu trabalho com marcantes influências do Realismo e do Surrealismo. Mas o que isso significa em termos do resultado final que ele apresenta? O principal aspecto está na atmosfera que consegue criar com seu trabalho.
Existe, sem dúvida, um clima do belga Magritte nas cenografias construídas. O grande mérito do artista brasileiro reside justamente na criação de atmosferas ficcionais que pareçam reais. A maneira de se valer da pintura para atingir esse resultado permite o surgimento de numerosas interpretações, nas quais surgem elementos regionais e universais conversando entre si.
A fascinação que as telas de Luiz Xavier provocam dá-se pela maneira como consegue lidar com elementos reconhecíveis do mundo dito real e fazê-los dialogar em cenas fantasiosas. O maravilhoso reside no fato de as cenas criadas instituírem novos mundos e situações que, embora ficcionais, parecem inteiramente possíveis. Surge dai um lírico encantamento visual.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.