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diárias de bordo

Ser Mulher

Ser Mulher
08/03/2020

A cerâmica de Zandoná é um espaço mítico. É no ato de modelar a argila que ela estabelece um mundo próprio em que as mulheres são protagonistas. A terra é a base da criação de um universo em que o feminino e a feminilidade se fazem presentes com um delicado vigor muito próprio.

Suas peças trazem desde a maternidade da amamentação à sensualidade dos recortes dos vestidos, com o contorno dos seios e da cintura como o espaço em que a mulher define seu potencial de abrigar novas vidas e de ser o ventre da diversidade, gerando mulheres negras ou caiçaras que expressam a beleza da existência.

Seja alimentando bebês, carregando objetos na cabeça ou nos contemplando com ar interrogativo, as esculturas expressam o cotidiano de mulheres ativas. As criações da artista são resultado de uma vivência silenciosa, oriunda de uma tradição materna ligada aos ofícios de paneleira e parteira, atividades em que a força e o lirismo convivem.

As mulheres de Zandoná são facetas da própria Zandoná. Ela se faz onipresente pela sua vivência como mulher e como artista, lançando ao entorno um olhar com centenas de histórias para contar e milhares de mistérios a esconder. E é justamente naquilo que é sugerido, nos silêncios, no não dito, que a sua bela obra ganha magnitude e respeito.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.