
O que é um remo? A definição fria dos dicionários nos informa que se trata de uma “haste de madeira ou metal leve, com extremidade achatada, plana ou curva usada para impulsionar embarcações com braços humanos”. Além disso, o nome evoca tanto um dos mais importantes times de futebol do Estado do Pará como um esporte olímpico.
Mas os remos podem ser também suporte de produções artísticas quando entendidos naquilo que têm de mais essencial, a possibilidade de, nas mãos dos mais diversos navegantes, transportar pessoas na imensidão das águas amazônicas. São, nesse sentido, expressões da liberdade de ir e vir que contêm múltiplas memórias e lembranças.
É o que ocorre na exposição “Remando pela Amazônia”, apresentada no Centro Cultural João Fona, em Santarém, PA, de 6/3 a 30/5 de 2020. A colocação dos remos, flutuando no espaço, pendurados do texto, acentua o conceito de que eles abrem caminhos. Nesse sentido, a proposta da exposição de ter remos em estado bruto para as pessoas interagirem fomenta ainda mais a ideia de que eles dialogam, de maneira distinta e igualmente rica, com cada indivíduo, com a região e com a cultura nacional.
Muito mais que um remo com interferências, cada obra é o passaporte para viagens internas de quem os produziu e de quem os vê. O olhar sobre eles é uma forma de interpretar o modo de ser e de viver a Amazônia, valorizando a fascinante capacidade humana de se adaptar e conviver em harmonia com a imensidão de um ambiente a ser desvendado e respeitado.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.