
Os famosos corredores da morte de prisões em alguns Estados dos EUA já foram diversas vezes tratados no cinema. O foco do filme “Luta por Justiça”, de Destin Daniel Cretton, é mostrar, com três casos reais, que a chance de negros serem mortos na cadeira elétrica é muito maior que a de brancos.
As questões passam, é claro, pelo preconceito racial, mas também pela vingança, pela falta de dinheiro para ter um bom advogado e por um tácito acordo da sociedade sulista de que basta ser negro para ser culpado de qualquer coisa. Trata-se, portanto, de um combinado pérfido de situações que levam à dor e ao sofrimento de inocentes e de suas famílias.
No filme, o ator Michael B. Jordan interpreta Bryan Stevenson, um advogado negro formado em Harvard que sentiu o preconceito de perto na infância e optou por defender os condenados à morte no Estado do Alabama. Dedicou-se àqueles que não tinham defesa ou que eram explorados financeiramente por inescrupulosos colegas de profissão.
O filme foca três casos: o herói do Vietnã mentalmente perturbado, que matou uma menina com explosivos; um trabalhador autônomo que foi acusado sem evidências, mas que era odiado pela comunidade após uma relação fora do casamento com uma mulher branca; e um negro condenado de assassinato injustamente apenas por ter desafiado com o olhar um policial.
A luta por justiça é construída a cena a cena na busca por mostrar as arbitrariedades de um panorama em que restabelecer verdades é uma conquista difícil e permanente. Cada apelação às diversas instâncias não é apenas um jogo de lógica processual, mas também de habilidade política e psicológica, num vergonhoso, mas necessário jogo de xadrez imposto pelo sistema em que vidas inocentes podem ser salvas ou perdidas.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.