
A arte é uma forma de conhecimento do mundo. Isso não significa que que ela esteja isenta de parâmetros de reflexão. Pode-se mergulhar em um trabalho pelos seus aspectos formais (composição, tonalidades, formas) e conteudísticos (assunto, engajamento político ou social), mas existem sempre valores que estão além dos racionais.
A criação lida com percepções daquilo que entendemos como realidade e sentimentos que desafiam quem observa. E a admiração se torna maior quando é construído um envolvimento. Os trabalhos de Rogerio Morais Martins lidam justamente com a percepção de que a existência de suas pinceladas carrega a busca pela essência de um saber.
A presença de diversos perfis sobre fundos manchados em tons claros aponta para uma multiplicidade da existência em plena sintonia com a sociedade contemporânea. As escadarias surgem como sutis caminhos delineados que indiciam uma metáfora do viver e do ir e vir existencial.
Há um sentido de equilíbrio, mas também de interrogação. A arte de Rogério Morais Martins reside assim no campo da reflexão. Os trabalhos trazem questionamentos sobre origens, vivências e interrogações. Forma e conteúdo interagem a apontar que o amanhã artístico é o resultado da história do ontem somada à prática e a pesquisa constante do hoje.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.