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diárias de bordo

A força da sobrevivência

A força da sobrevivência
27/02/2020

O ímpeto pela sobrevivência é a força motivadora da protagonista do filme “Meu nome é Sara”. A obra conta a história de uma menina judia polonesa de 13 anos que consegue fugir da Polônia invadida pelos nazistas para a Ucrânia, onde se passa por cristã para se manter viva em uma vila de fazendeiros.

Atua como babá de uma família e, pouco a pouco, se insere em um universo afetivo de traições sucessivas do casal, de exploração econômica dos nazistas que dominam a área e dos grupos de partisans soviéticos que igualmente levam animais e produtos agrícolas para sobreviver.

A produção americana é filmada na Polônia, com excelentes atores, e consegue transmitir o sofrimento de Sara, que até dorme com um pano na boca, para que os outros moradores da casa não escutem o hebraico que pronuncia quando tem pesadelos em situações de estresse. A cada cena se evidencia como fingir ser outra pessoa o tempo todo é um imenso desafio.

A Sara Góralnik do filme é a mãe do produtor executivo da obra. Única sobrevivente da família do Holocausto, ela compartilhou sua trajetória ao filho apenas nos últimos dez anos de vida. Levar essa história ao público é uma maneira de resistência aos ventos pouco animadores de retomada de preconceito étnico e religioso que sopram pelo mundo.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.