
Por incrível que pareça, ainda há aqueles que argumentem que o chamado “empoderamento” feminino ou a consciência negra são efêmeros ou exageros do politicamente correto. O filme “Harriet”, que teve duas indicações ao Oscar (Melhor Atriz, para Cynthia Erivo; e Melhor Canção Original), mostra como a discussão do papel da mulher negra na sociedade é essencial.
O filme conta a história de Harriet Tubman, ativista política que, durante a Guerra Civil americana, ajudou escravos a fugirem do Sul dos Estados Unidos, após ela mesma ter, em 1849, escapado de uma fazenda, deixando para trás marido, pais e irmãos. Sua mensagem de que a liberdade precisava ser conquistada com ações práticas foi fundamental.
Enquanto muitos negros que já haviam nascido livres e brancos abolicionistas defendiam soluções jurídicas ou a guerra civil, Harriet argumentava que cada minuto que um negro estivesse vivendo na escravidão era uma vergonha para a humanidade. Assim, participou de inúmeras ações de fuga, dando liberdade a mais de 700 escravos negros.
Sua presença carismática, misticismo e fé inabalável na construção de um mundo melhor a levaram a liderar forças militares contra os exércitos escravocratas do Sul dos EUA. Recontar a sua trajetória não é modismo. É uma forma da historiografia ocidental branca colocar cada um em seu lugar, dentro de uma perspectiva que respeite a diversidade humana.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.