
Morar dignamente é um tema essencial na agenda global e se torna especialmente crítico para os refugiados. Seja em assentamentos ou em cidades já estabelecidas, ter um local adequado para viver é um tema essencial do mundo contemporâneo, principalmente quando se está perante indivíduos envolvido em migrações massivas.
Num mundo caracterizado pela glocalização, ou seja, pelo cruzamento de questões globais com locais, a moradia de desterrados por motivos religiosos, políticos, sociais ou fenômenos climáticos aumenta justamente o número daqueles que fogem de algo e que precisam de um novo lugar digno onde viver.
O artista plástico Jabim Nunes enfoca a questão sob um foco tridimensional, dando continuidade a um trabalho que já realizava no plano da pintura. A ideia básica de apresentar conjuntos de polígonos regulares e irregulares que, unidos de diversas maneiras entre cores, formas, texturas e relevos, permanece.
O mesmo ocorre com o conceito de que o todo é mais importante do que cada parte individualmente na busca de uma forma de expressar o inconformismo com o mundo. Agora, no entanto, o criador visual trabalha com madeira encontrada nas ruas da região conhecida como Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
Jabim Nunes compõe suas moradias para refugiados com pedaços de madeiras de lei retiradas de portas, portais e janelas antigas de casas de subúrbio, selecionadas por suas colorações, texturas e espécies. A organização desses fragmentos em moradias aponta para a possibilidade de ordenar o aparente caos da sociedade contemporânea. Assim, as casas do artista se tornam um refúgio para quem aparentemente parece não ter mais esperança.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
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