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diárias de bordo

Lugar da arte

Lugar da arte
11/02/2020

O desenho e a pintura têm uma característica essencial. Como toda arte, são manifestações que carregam em si formas de pensar aquilo que convencionamos chamar de realidade. Cada trabalho, portanto, nos ajuda a ver o que o artista é, como ele vê o mundo e como nós, observadores participativos, vemos a nós mesmos.   

Marcelo Maria de Castro, ao pintar uma concha, permite reflexões em alguns níveis. Inicialmente temos a questão do objeto em si mesmo, pois estamos diante de um elemento artístico, uma representação daquilo se considera real. E esta maneira de interpretar o mundo é construída com uma técnica, havendo todo um processo de seleção de materiais.

Mas, além daquilo que se pinta e como se pinta, está um universo de reflexões sobre o poder que a imagem comporta. Uma concha, por exemplo, evoca caminhos da memória, trilhas da imaginação, veredas de ouvidos ancestrais e a miraculosa pérola que pode estar no centro, surgida de um grão de areia que causou uma ferida que gera beleza.

A imagem, portanto, não é para ser lida como reprodução fiel, mas como viagem de significados. Possui o poder mágico de permitir ser lida no campo de padrões universais de sentidos arquetípicos, mas também o de propiciar costuras e posturas individuais idiossincráticas. Tudo é possível quando se cria com dedicação e entrega a si mesmo e ao mundo. Assim, a arte como um todo e a de Marcelo Maria de Castro em particular conquistam seu lugar 

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.