
Criar é um constante desafiar-se. Cada imagem que surge no universo das artes visuais é uma maneira de se encontrar e de se reencontrar com o mundo. Assim, o desafio permanece sempre vivo, como um ato de renovação, um momento em que se prolonga o contrato com a existência.
As aquarelas da jovem Julia Pilla reúnem elementos de grande significado simbólico ao estabelecer, por exemplo, relações entre a noite e o dia, o sol e a lua e o masculino e o feminino, fugindo das imagens convencionais e introduzindo um certo mistério, num autêntico encontro da alma om si mesmo e com o mundo.
Nesse contexto, a arte é uma luz que embriaga. Cada produção estimula as seguintes, em um círculo virtuoso regido pelo lúdico da existência e pelas interrogações constantes que movem a filosofia sobre a nossa origem, nosso presente e o nosso futuro. Assim, assuntos como amor e morte e passagem do tempo são recorrentes.
Julia Pilla se utiliza muito das cores para atingir uma maneira de expressão que ganha força. Suas imagens, dos mais variados temas, são declarações de sentimentos do viver. E, para isso, se vale de formas e composições variadas, mas densas em uma plenitude visceral que estimula a olhar ao nosso redor e dentro de nós mesmos de maneira renovada.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.