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A força interior do caos

A força interior do caos
06/02/2020

Em uma sociedade que diz buscar o cosmos, ou seja, a harmonia, parece que o caos se faz mais presente. Isso, porém, não é necessariamente ruim. A ideia de que a desorganização é algo a ser evitado talvez provenha muito do mundo grego, onde o conceito de vazio costuma ser visto como algo, em certa medida, assustador.

Quando se pensa em caos, dentro das bases mitológicas ocidentais, logo surgem os conceitos de um espaço vazio primordial marcado pela desordem e pela confusão. Existe aí a ideia de medo, pois aquilo que não tem uma organização nos introduz no desconhecido, o que assusta a muitos.

Quando se pensa em caos, os desenhos em nanquim sobre papel de Lu Paternostro são uma bela referência, pois a série por ela chamada “Mundos intrincados” constitui apenas uma aparente desordem, já que existe toda uma estrutura em que cada obra se apoia para poder causar um forte impacto visual.

Na mitologia grega, o Caos gera por partenogênese, ou seja, de maneira assexuada, dois elementos que estão em sua essência: Nix (Noite) e Érebo (Escuridão). Mas, mesmo assim, não se pode temer o caos. É dele que surge a força da vida, como bem mostra a arte de Lu Paternostro, na qual surge um universo complexo, mas pleno de força interior a nos desafiar.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.