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diárias de bordo

A briga pela água

A briga pela água
02/02/2020

 

Levantamento inédito, feito pelo jornal O Estado de São Paulo e divulgado em 2/2/2020, aponta que, nos últimos cinco anos, foram abertos, em delegacias do Brasil, 63 mil Boletins de Ocorrência (BOs) por causa de brigas por água. Rios e córregos são disputados à bala, à foice e à chave de fenda, envolvendo pessoas, hidrelétricas, companhias de abastecimento, comunidades tradicionais, fazendas, pequenas propriedades e indústrias.

Esse dado contrasta, por exemplo, com imagens edílicas que estão em pinturas e em nossa mente sobre a água, como obras sobre madeira de Teca Grazioli, uma artista que ama trabalhos manuais, artesanatos, jogos de madeira, crochê, macramê, renda irlandesa e renda renascença.

Se a arte muitas vezes ainda vê a natureza com um local quase fora do espaço e do tempo em que é possível encontrar a paz de espírito ou a divindade, de acordo com a crença de cada um; a vida cotidiana, espelhada de uma maneira ou de outra na imprensa, alerta que o cotidiano da sobrevivência traz as suas consequências violentas a cada instante. Nesse contexto, lutar de todas as formas por pedaços de terra em que a água existe não é uma questão ideológica, mas de necessidades primordiais e envolve, é claro, aspectos econômicos.

Nesse contexto, quando as discussões deixam a esfera da racionalidade e vão para o uso de qualquer tipo de arma, é hora de acender um sinal vermelho, muito além do amarelo piscante em que a humanidade já vive. Obras como a de Teca Grazioli nos ajudam então a não perder de vista o sinal verde da existência.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.