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Seres imemoriais

Seres imemoriais
01/02/2020

Encontrar no passado a fonte de expressão que permite a construção presente de uma poética que aponte um desenvolvimento futuro da própria arte é uma das chaves para penetrar no trabalho visual do artista sergipano Gildecio Costaeira. Sua obra é marcada justamente por essa caminhada entre os tempos de nossa existência.

Por meio de cores intensas, as suas imagens evocam animais e plantas extintas em tempos imemoriais. Isso lhe permite criar espaços em que se utiliza algumas vezes do espelhamento de imagens e de uma grande liberdade na composição e na concepção das formas. O observador é assim convidado a mergulhar em um mundo paralelo.

É muito interessante verificar com a escolha de um tema que remete a um mundo desconhecido revela a sua atualidade, pois vivemos um momento histórico em que resgatar referências próprias ou coletivas parece dar um piso para erguer a própria sanidade. Isso sempre ocorreu, é claro, mas, numa atmosfera de perda de parâmetros, tornou-se essencial.

A arte de Gildecio Costaeira oferece luzes para uma busca do autoconhecimento. Quando se pensa em buscar o sentido da vida, muitos sentem um vazio existencial, que acarreta em quadros depressivos, por exemplo, A arte do criador sergipano vai na direção inversa. Os seres que não existem mais alimentam sua visão de mundo e se transformam em arte

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.