
As mais diferentes técnicas convivem nas artes visuais. A tendência tem sido a da mescla entre elas, característica de um mundo em que os limites claramente definidos vêm sendo abolidos, seja no comportamento ou nas manifestações visuais. As ideias de certo/errado ou verdadeiro/falso parecem, nesse contexto, cada vez mais anacrônicas.
A poética de Ana Maria Reis desenvolvida em seus bordados sobre aquarela realizada em tela ou tecido traz diversos elementos de ancestralidade e delicadeza. Se o fazer em si mesmo remete às ações cuidadosas nossas avós, o resultado caminha por vertentes contemporâneas, por exemplo, de valorização da natureza, da biodiversidade e dos ecossistemas.
Assim, a sua obra de maior visibilidade, sempre dentro de sua concepção de sobreposição de fios e de utilização de vários pontos no ato de bordar, é a de uma garça encontrada no Parque Campolim, em Sorocaba, SP, com um lacre no bico. Junto ao filhote, a ave teve seu sofrimento por não poder se alimentar até ser salva, acompanhado por toda a mídia e a população local.
A questão da preservação da natureza surge em outras obras, como a do sabiá-laranjeira, que cada vez canta mais cedo para atrai a parceria devido ao barulho nas grandes cidades. Já o futuro, aponta para trabalhos de bordado sobre metal em parceria com o escultor Samuel da Silva Júnior e para o desenvolvimento de assuntos mais intimistas e existenciais a partir de fotos de sua própria autoria, numa caminhada sem limites para vencer os próprios desafios técnicos e existenciais.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.