
A arte chamada de hiper-realista enfrenta muitas vezes um preconceito por ser considerada, por muitos, como uma mera reprodução real e, portanto, não é entendida como uma manifestação legítima. A questão é polêmica, pois toda expressão visual, seja abstrata ou realista, é uma interpretação e demanda técnica para ser realizada.
O que mobiliza a artista Cecília Rodrigues é justamente o desafio de conseguir, por meio da pesquisa e do estudo, o resultado visual esperado. Para isso, escolhe uma missão, como retratar as sutilezas da água. Mas não se trata de mera reprodução sem reflexão. Pelo contrário, retrata intensos e plenos momentos de prazer.
E a vida desses meninos não é fácil. Falta infraestrutura de saúde e saneamento, mas há integração com o meio que os rodeia. O sorriso presente nos quadros os revela inteiros num instante em que estão totalmente entregues ao sentimento de sentirem o líquido banhar o seu corpo. É como se a vida parasse nesse momento.
O que mobiliza a artista é essa ambiguidade da criação. De um lado, há a busca de soluções visuais, nas pinceladas e tonalidades, para se aproximar do que se deseja atingir. Por outro, existe a dinâmica interna de conseguir que cada quadro traga uma discussão, faça um sentido e encontre seu lugar no mundo para mostrar e discutir aquilo que chamamos realidade.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.