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Biointegração de sentimentos

Biointegração de sentimentos
26/01/2020

Quando se pensa na criação artística, costuma surgir uma pergunta: qual é a melhor técnica para cada criador visual? A discussão é interminável, mas, historicamente, é possível dizer que, no momento em que se escolhe o que se deseja dizer, a técnica apropriada surge, seja por pesquisa do que já existe ou pela busca de recursos próprios.

A artista plástica Maria Vieira passa por esse processo com o progressivo amadurecimento da utilização do verniz vitral sobre acetato para suas expressões abstratas, maneira que encontrou de interpretar o mundo marcadas pela combinação de saberes e fazeres desenvolvidos ao longo do tempo, num processo contínuo.

A questão central para artista é lidar com o conceito do vitral sem a carga religiosa que geralmente ele apresenta e sem a geometrização que a dureza do vidro demanda. Ao usar o verniz sobre o acetato, ela consegue ter a luminosidade e a espiritualidade dos templos somada à dinâmica da abstração, escapando da figuração didática e das formas retas.

Ela atinge assim, na série Biointegração, uma maneira própria de expressar seus sentimentos. As manchas conquistam o espaço como um território de movimentos associado com a as estações de ano, como a primavera, ou com os fenômenos da natureza, como cachoeiras, mostrando que a diversidade é aquilo que nos mantém integrados ao mundo, vivos e criativos.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.