
As artes caminham progressivamente para um processo híbrido dos mais interessantes, no qual diferentes linguagens se intercruzam, possibilitando os resultados mais diversos e instigantes. Não se trata, é claro, de algo novo, mas sim de uma procura enfatizada pela existência e pela vivência que as tecnologias propiciam.
Acacio Pereira, ao chamar seus trabalhos de Geometrismo Sensorial Tecnológico, mergulha fundo nessas ilimitadas possibilidades. Vale-se da pintura, da fotografia e da arte digital para estabelecer diálogos e espelhamentos que atestam como uma imagem pode falar e decifrar mundos em múltiplos desdobramentos.
As experiências digitais com base em pinturas abstratas geram um portal para quem faz e para quem observa. O criador pesquisa a própria capacidade técnica e imaginativa de lidar com as ferramentas de que dispõe, em busca do resultado visual que lhe agrade. Já quem contempla é obrigado a colocar o cérebro para funcionar para descobrir potenciais interpretações.
“O Baile das Máscaras” exemplifica como é possível trabalhar com diversas figuras estimulando os sentidos e se valendo de programas de computador. O espírito de esconder/transformar/revelar da festa pagã se faz onipresente, pois parte-se de configurações que tem base matemática para penetrar no reino das sensações, sem desprezar a tecnologia, mas buscando o que há nela de melhor: o poder de buscar infinitas ampliações dos saberes.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.