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Os saberes do violinista

Os saberes do violinista
22/01/2020

Entre todas as artes, a música merece um lugar especial. Certamente o fato de ser não verbal lhe concede uma magia universal, pois independe de idiomas, o que a auxilia a atravessar fronteiras. Sua linguagem, que tem na matemática um de seus pilares, está paradoxalmente plena de sensibilidade. Essa conjunção permite voar pela imaginação.

O quadro “O violinista”, de Marcio Bracali, traz ainda mais elementos para essa discussão, pois o musicista é colocado em um cenário de dezenas de casas simples e, muito concentrado, se apresenta como um ser que, por meio da melodia que interpreta, pode escapar de uma realidade que aparentemente não lhe é totalmente plena e agradável.

A música é onipresente na cena. Pode ser vista como fuga do real, mas também tem a capacidade de ser aquilo que de mais real existe, justamente por demandar extrema entrega. O ato de tocar um instrumento permite um intenso mergulho dentro de si mesmo. Somente assim é possível atingir a mescla de técnica e sentimento que permite a superação.

Esse é o ponto chave da arte. O trabalho acurado, como o de Marcio Bracali, não se atém apenas ao saber fazer. É claro que isso é essencial – e pode ser aprendido, mas inclui um sentir profundo, que demanda ver a si mesmo e ao mundo ao redor de maneiras constantemente renovadas, num processo contínuo que a imagem do artista certamente estimula.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.