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diárias de bordo

Para rever a existência

Para rever a existência
13/01/2020

Há pinturas que reúnem elementos que as tornam significativas pela capacidade de auxiliar a refletir sobre os mais diversos aspectos do ser humano. Esse é o caso de “Outono”, de Jeannette Priolli. Estão ali diversos elementos que fazem pensar como a nossa vida pode estar associada à arte no sentido de ser um constante ciclo.

A presença da cor amarela, por exemplo, remete ao sol, mas também a luminosidade toda especial de estação, que tem como uma de suas características justamente a oportunidade de ver o mundo sob uma intensidade diferenciada, própria, que oferece muitas vezes uma atmosfera quase fantástica das ações cotidianas.

O preto, por sua vez, não está, no presente contexto, associado ao fim, mas a um recomeço de sensações. No cair de folhas de um ciclo, é outro que começa, numa caminhada infinita em busca de um aperfeiçoamento próprio e coletivo. Com o uso dessas cores em tinta acrílica pela pintora, as tonalidades ficam mais escancaradas e o fascínio e mistério se evidenciam.

Um trabalho é mais artístico na medida em que amplia as possibilidades de percepção e de interpretação da realidade. “Outono” tem esse poder. Fala, é claro, da estação do ano, mas, acima de tudo, nos obriga a repensar nas renovações e transformações que cada instante pode gerar em cada um de nós. Por isso, com a sua luz própria, nos faz rever a existência  

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.