
A capacidade de dialogar é uma das maiores virtudes humanas. Muitas vezes ela se perde por não querer ou não saber abrir mão de algumas opiniões ou idiossincrasias. A escultura “Diálogo I”, do artista plástico alemão radicado, desde 1939, no México Herbert Hofmann-Ysenbourg é uma forma de refletir sobre isso.
Em ferro forjado e esmaltado, a obra, exposta no Museu de Arte Moderna do México, consegue mostrar como a humanidade poderia ser mais unida entre si se mantivesse sempre aberta a capacidade de dialogar. Por mais distantes que as interpretações de mundo possam parecer, como aponta o trabalho, existe a possibilidade de uma conversa de alguma maneira.
É curioso, nesse aspecto, como as figuras, numa posição horizontal, parecem estar mais prontas para se comunicar entre si. A abertura para ouvir e para manter contato é enfatizada, seja por meio do toque físico ou mental de entender que duas pessoas podem sempre se aproximar quando estão abertas a enfrentar todo tipo de dogmatismo.
A construção visual do escultor alerta para como duas pessoas juntas sempre são mais fortes do que isoladas em seus pensamentos e ações. Somente o diálogo, que pode ser exercido num olhar, num fazer, num meditar ou num agir em harmonia auxilia a erguer relações humanas e sociais mais justas e equilibradas.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.