
A maternidade já encantou diversos artistas das mais variadas épocas. Isso sem falar das civilizações antigas, tanto as pré-colombianas como a mesopotâmica e a grega. A grande questão que se apresenta é o mistério da vida, pois o entendimento de como o fenômeno da fecundação humana pode gerar seres tão complexos, únicos, perfeitos e imperfeitos fascina.
A imagem da artista plástica Natália Xavier expressa justamente toda essa magia. Seja por meio das cores e das formas e, principalmente, pela articulação entre elas, torna-se possível perceber a intensidade desse momento. Ocorre uma exaltação da mulher, é claro, mas, acima de tudo, do dom da vida.
A presença dos quatro elementos, a saber, a água nas ondas; a terra, nas colinas; o ar, no vento a exaltar a sensualidade da grávida; e o fogo, na presença do sol, tão importante nas mais diversas mitologias como elemento simbólico de força e de renovação, atesta uma construção visual que fascina.
A obra como um todo proporciona uma reflexão sobre a passagem do tempo, do nascimento à fertilidade, e do futuro. É na beleza visual da mulher grávida que a vida se renova. Cada ser que nasce traz em si os quatro elementos, o que alimenta a existência física e espiritual, já que o fogo é também uma clássica representação essencial do espírito e da força da vida.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.