
Uma das maravilhas do natal é a possibilidade de unir as pessoas. Há uma atmosfera favorável para isso que devia, naturalmente, se estender por todo o ano, de modo que todos pudessem olhar nos olhos dos outros para caminhar em direção a um mundo mais harmônico, marcado pelo amor.
É nesse espírito que a imagem de um gato aninhado no lugar onde deveria estar Jesus é esplêndida. Que cena! Ele se sentiu abrigado no local sagrado e ficou ali comodamente perto de Maria e Jesus. Poucas cenas podem ser consideradas mais lindas e delicadas, numa comunhão entre os seres.
O gato, em um ambiente estranho, parecia se sentir em casa, numa espécie de comprovação das palavras de São Francisco de Assis em seu louvor aos animais como uma das manifestações mais lindas de Deus. Quando o felino se aconchega no presépio, as palavras do célebre santo ganham uma nova dimensão.
Curiosamente, atribui-se também ao mesmo São Francisco de Assis a criação do presépio. É significativo que justamente na sua “invenção” o gato tenha ido descansar um pouquinho. Enfim, o principal é que a simbologia do presépio abriga a todos, seja qual for crença, sexo ou mesmo raça humana ou não. Seu sentido é de abrigo. Por isso, o gato lá encontrou o seu lugar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.