
O hiper-realismo é um gênero muitas vezes vitimado pela arte conceitual. A ideia de desenvolver uma técnica apurada que permite criar imagens que funcionam como quase idênticas à realidade é acusada por muitos de inutilidade com o argumento de que a fotografia justamente consegue realizar essa reprodução com menor esforço.
Essa questão vem à tona ao contemplar os trabalhos do artista mineiro Alfredo Vieira. Seu hiper-realismo permite colocar esse tipo de obra sob uma outra perspectiva, voltada muito mais para as escolhas realizadas para atingir o resultado desejado. Isso inclui um mergulho que inclui não só os temas, mas, principalmente ângulos e atmosferas que se deseja pintar.
Sua manifestação impressiona pela maneira como progressivamente ilustra um saber adquirido. Prestar atenção a cada detalhe do que chamamos realidade e lhe dar a forma de pintura constitui um exercício permanente de aperfeiçoamento e de desenvolvimento de recursos cada vez mais aprimorados.
Trata-se de uma busca que apresenta múltiplas facetas. A primeira delas é a observação. Somente educando o olhar é possível construir uma visão própria seja de um ambiente ou da natureza. Em seguida, é indispensável mergulhar no fazer pictórico para nele se perder, o que leva a um domínio de possibilidades que levam a uma pintura de qualidade.
É nessa jornada que Alfredo Vieira estabelece o seu universo visual. Sua arte, muito mais que caber no rótulo de hiper-realista, pode ser considerada uma declaração de amor ao que conhecemos e desconhecemos visualmente. Na devoção ao detalhe e à reprodução do visto e do sentido nos oferece a sua interpretação do mundo.
Conheça o artista em: http://artedealfredovieira.blogspot.com/
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.