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Escolhas existenciais

Escolhas existenciais
20/12/2019

O que um homem pode fazer para garantir um futuro melhor para si mesmo a para a família? Existe um limite para sacrificar as pessoas queridas em direção a uma certa estabilidade? Essas questões são tratadas com crueza no filme dinamarquês “Antes do gelo”. Os dilemas do protagonista ganham uma proporção épica na procura de alternativas.

O ator Jesper Christensen interpreta um camponês dono de propriedades no século XIX. O diretor Michael Noer mostra os dilemas desse senhor que faz de tudo para sustentar a família, mas, vencido pelo clima adverso que prejudica suas colheitas, acaba por negociar o casamento da bela filha como forma de ascensão social e garantia de vida melhor para os seus.

Diversas questões aparecem nessa jornada. O fato de mudar de status social, ao casar a jovem com uma abastada família sueca, traz diversas consequências, desde o uso de um chapéu, índice de melhor posicionamento na comunidade, a ter o direito de se sentar em melhores lugares na igreja. Naturalmente, isso traz inveja da comunidade e potencializa conflitos.

Fica evidente que a estratégia de sobrevivência do protagonista não traz apenas bônus. Os ônus incluem a dificuldade inicial de adaptação da filha ao maior refinamento da família do marido, que inclui o modo de se comportar à mesa e aulas de piano, e a morte de pessoas próximas. Esse sacrificar o presente em nome de tranquilidade futura traz questões éticas que o filme explora muito bem, obrigando-nos a repensar muitas de nossas escolhas existenciais.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.