
A arte abstrata tem o magnífico poder de emocionar de maneira sutil. Muitos equivocadamente a consideram simples, como se fosse algo que qualquer criança pode fazer. A história dos pinceis, no entanto, revela algo extremamente oposto. Somente aqueles que amadurecem vivencial e plasticamente chegam ao gênero com qualidade.
Esse é o caso das obras de Amin. Seu trabalho apresenta uma intensa expressão visual no uso das cores. Há em seus quadros uma intensidade pictórica perceptível na maneira que o espaço é ocupado. O clima de mistério se instaura. Trata-se de uma qualidade rara numa sociedade em que o dizer muitas supera o sugerir.
Assim, as telas que o artista gera são diálogos muito pessoais com o cotidiano. Existe um trabalho cuidadoso de tornar significativo o momento em que o observador dedica o seu olhar a interpretações marcadas pela sensibilidade. A expressão do viver ganha espaço e traz consigo uma necessária reflexão.
Reside aí o maior segredo do pintor radicado em Campo Grande, MS. Sua interpretação do que significa viver reside em estabelecer conexões com o público via composições arejadas, em que as tonalidades remetem a galáxias interiores, autênticas impressões de um existir artístico cristalizado em criações visuais plenas de expressão e sentimento.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.