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A arte dos amassados de Cássio Lázaro

Cássio Lázaro é um artista peculiar por dois aspectos. Um deles é pela forma como trabalha o aço, explorando o espaço tridimensional de uma maneira diferenciada, concebendo a sua matéria-prima como um recurso plástico e visual que oferece infinitas possibilidades.
            A segunda é pelo entendimento do trabalho em numerosas séries que, embora diferentes entre si, conciliam-se na forma de visualizar construções plásticas como explorações do espaço e dos efeitos de luz. Há as séries chamadas de rendas, amassados, rasgados e entrelaçados, nas mais diversas cores.
            O que pode parecer uma diversidade incoerente ganha força pelo poder de observação que o artista tem da natureza. A visão de folhagens ou de papéis amassados são o ponto de partida para a elaboração de trabalhos nos quais a sombra sobre a parede ou as distintas angulações de uma peça constituem parte importante da sua poética.
            Nos chamados “amassados”, realizados com o uso consciente da marreta sobre o aço, são conseguidos os efeitos mais impressionantes. Curvas, reentrâncias e dobras surgem da atividade de um profissional consciente em seu ofício de dominar o material com a sua personalidade.
Há ainda uma riqueza de formas de executar as criações, pois a força dos “amassados” encontra um contraponto nos rendados, em que existe uma delicadeza maior das peças. A grande discussão que surge no seu trabalho é a da apropriação das formas para concretizar suas dobras ou articular as mais diversas composições.
            Principalmente com seus amassados estéticos, o artista consegue transmitir os paradoxos da vida, no movimento entre a violência e o lirismo. A dureza do material, em certos momentos, transforma-se na beleza de uma renda, prova do talento do artista para atingir os mais variados resultados a partir de uma produção coerente e constante.