
A escritora sueca Astrid Lindgren (1907 – 2002) é pouco conhecida no Brasil, mas as suas obras infantis foram traduzidas em 85 idiomas em mais de 100 países. O filme “Tornando-se Astrid”, nesse sentido, é uma boa opção para penetrar em seu universo mental, já que a direção de Pernille Fischer Christensen foca muito mais a biografia dos anos de formação do que a literatura.
A coprodução sueco-dinamarquesa encontra na atriz Alba August uma interpretação pungente voltada para entender como a escritora, desde os seus primeiros trabalhos, como revisora e secretária no jornal de sua pequena cidade natal, mostrava temperamento forte e ousado, o que se refletia inclusive em seu comportamento cotidiano, questionando e brincando com dogmas da igreja.
Trinta anos mais jovem do que seu chefe, por quem acabou se apaixonando e com quem teve uma filha, criada na Dinamarca, já que ele não podia assumir a paternidade por estar envolvido num divórcio litigioso, Astrid foi construindo uma maneira muito especial de ver a realidade, demonstrando grande capacidade de gerar uma fabulação que envolve as crianças.
É nesse universo que a autora sueca começa a criar seus personagens que são vistas pelos seus jovens leitores como modelos de comportamento pela coragem, por não se abater perante dificuldades e por proteger os irmãos mais novos, sempre demonstrando lealdade com a família. Talvez isso explique seu êxito e seu reconhecimento principalmente na Europa e o encanto de um filme que vai nos cativando minuto a minuto, com Astrid ganhando espaço como mulher, como intelectual, como mãe e como escritora cena a cena.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.