
O universo da escultura apresenta características únicas. Pensar a tridimensionalidade demanda refletir constantemente sobre o diálogo entre espaços cheios e vazios e reentrâncias. É na prática da modelagem que a arte se realiza, seja tendo como ponto de partida um desenho ou pelo imenso prazer de ver certas formas ganhando volume.
As esculturas de Rose Rossetti encantam pela maneira como tratam, por exemplo, o corpo feminino. Os seus melhores trabalhos caminham para a estilização das curvas, estabelecendo imagens sextavadas, em que a riqueza se estabelece na maneira como e realizada a articulação entre o que a arista pensa e o que realiza.
O maior fascínio da arte escultórica se dá justamente em verificar como as mãos, no contato com a argila, matéria-prima da humanidade. oferecem a oportunidade de refletir sobre o nosso cotidiano existencial. A maravilha do criar se dá nessa passagem daquilo que se sente para o que se vê.
Cada trabalho, nesse sentido, é uma conquista, pois, além das conotações que cada imagem estabelecida instaura, existe a possibilidade de que elas ganhem forma em diversos materiais, desde os mais tradicionais ao mais contemporâneos, que permitem numerosas tonalidades. Assim, a artista conquista seu espaço, erguendo a bandeira perene do processo criativo.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.