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Docudrama, gênero em ascensão

Docudrama, gênero em ascensão
17/10/2019

O dramaturgo, poeta e encenador alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956) é um marco do teatro contemporâneo. Suas produções ganharam destaque principalmente após as encenações realizadas pela sua companhia Berliner Ensemble realizadas em Paris durante em meados dos anos 1950.

Agora sua vida e obra ganham as telas por meio do docudrama, tendência  em ascensão no cinema mundial. Criado por Heinrich Breloer e Horst Königstein, falecido em 2013, o docudrama consegue trabalhar simultaneamente em duas esferas: o documentário e a ficção a partir de fatos considerados verídicos. Isso permite que documentos e depoimentos de entrevistados sejam intercalados a reconstituições ou cenas de difícil ou impossível verificação histórica.

“Brecht”, de Heinrich Breloer, lida justamente com diversas facetas do artista alemão. Tanto é mostrado seu processo criativo, principalmente de obras clássicas da dramaturgia mundial, como a muito conhecida “Ópera dos Três Vinténs”, como apresenta facetas menos simpáticas do artista, principalmente no relacionamento abusivo e pouco gentil com suas mulheres.

Se o chamado teatro épico estabelecido por Brecht buscava exatamente estimular a reflexão crítica do espectador, lembrando-o o tempo inteiro que se estava perante uma encenação e que as questões apresentadas deveriam ser debatidas o máximo possível, o docudrama de Breloer caminha nessa mesma direção, pois busca refletir sobre quem foi Brecht e qual sua importância para a dramaturgia universal.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.