
O tempo dos seres humanos que convivem profundamente com a natureza parece ser outro. Talvez seja certamente diferente. É o que sentimos, por exemplo, quando entramos em contato com pessoas da Amazônia. É exatamente essa outra dimensão da vida que se sente no filme “Vision”, da cineasta japonesa Naomi Kawase.
A narrativa se dá justamente numa floresta, só que no Japão. Uma escritora de livros de viagens, a sempre excelente e misteriosa atriz francesa Juliette Binoche, está no país oriental em busca de uma planta misteriosa chamada Vison, que teria o poder de, periodicamente, a cada mil anos, reformular o mundo.
Nada é claramente explicado, mas também não precisa. Ao entrar em contato com os habitantes locais, principalmente o dono de uma cabana, ela descobre novas possibilidades de dialogar com a vida em geral e com o próprio corpo em particular, experimentando o prazer com a natureza, o sexo e a maternidade.
A grande personagem, porém, é a mãe do dono da cabana. Essa senhora cega vivencia o contato com a natureza de uma maneira muito peculiar. A sua integração se dá pelo diálogo com os quatro elementos. Em suas principais cenas, ela se entrega à terra, ao vento, a chuva e ao fogo de maneira vivencial, integrando-se plenamente ao ambiente com intensa magia.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.