
A arte é uma maneira de refletir sobre os dilemas da existência. Isso acontece de maneira explícita ou implícita. Não há regras, mas sim sempre uma expressão de um diálogo com o mundo conhecido e desconhecido, uma espécie de grito existencial profundo que provém da busca de maneiras de se ver como indivíduo e como ser social.
Ver a obra do artista plástico Samuel de Saboia é justamente um mergulho em um mundo paralelo marcado pela lírica da vida. Ela se apresenta pela criação de figuras distorcidas e cores fortes que alertam para a efemeridade do ser humano. A vida como um todo se dilui nas composições de um criador que gosta de se jogar nas telas.
Cada imagem traz o vigor de uma bíblica expressão bíblica, não no sentido religioso de uma narrativa judaico-cristã, mas no sentido arquetípico junguiano de que seus trabalhos interpretam a saga do viver com estilo próprio. Um trabalho individual é a porta de entrada para um todo que se articula por transmitir verdades próprias.
O mais fascinante de Samuel de Saboia está em que as obras são viscerais expressões de um emotivo diário que atinge a coletividade. Ao se olhar uma pintura estamos perante um objeto visual que não se esgota em si mesmo. Dialoga com todos os outros do artista na construção de uma narrativa, potente, um soco no fígado repleto de sentimento e e verdade.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.