
O universo de Julia Aguilar é o das cores. Suas gravuras trazem imagens que remetem a elementos orgânicos da natureza. É como se células e outros seres se articulassem e se desarticulassem continuamente na dinâmica da própria existência. Dessa maneira, surge uma representação visual das pessoas, sociedades e culturas em transformação.
O alerta da artista é que tudo pode retornar. Nascer e morrer são facetas de uma mesma caminhada vivencial, podendo representar tanto um indivíduo como um todo. O movimento sugerido pelas obras é o mesmo da dinâmica da vida, em suas facetas e percepções múltiplas e contínuas.
É curioso verificar como, ao se observar a linguagem visual da artista, entra-se em um universo que remete à diversidade de possibilidades que a vida oferece, seja pelas variações cromáticas ou pelas linhas em suas curvaturas, sempre apontando para as possibilidades de transformação, em um ir e vir infinito.
O que as linhas dizem sobre a vida é que ela não se reduz a um nascer, viver e morrer. As voltas que apresenta alertam para uma dança das horas, ou seja, existem cada jornada um perceber-se e perceber o outro que se integra de maneira permanente. Nesse sentido, as obras de Julia Aguilar são um apelo para um abraçar cada minuto que eterniza o instante.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.