


Andréia de Alcantara traz em sua proposta visual uma porta de entrada para um amplo universo de significações. Trata-se de um autêntico portal para reflexões sobre o sentido da perda da fala de diversas culturas e ainda da presença do silêncio como um eloquente processo de denúncia.
De fato, as duas imagens em gesso desgastadas e o crucifixo “tomado” por elementos da natureza nos oferecem a oportunidade de refletir melhor sobre a passagem do tempo e como ele tem o poder e destruir as estruturas existentes. Assim como a cultura branca hegemônica destruiu línguas e costumes autóctones, o passar dos dias nada deixa vivo.
As imagens que a artista apresenta são um alerta sobre a finitude de cada um de nós, da sociedade e das instituições. O envelhecimento se dá pela passagem dos anos e também pelo desgaste dos conceitos. Já sabemos que não há verdades absolutas, mas falar disso é ainda mais fácil do que assumir, de fato, o que isso significa.
A força da natureza em seu vigor de tudo transformar encontra seu paralelo em uma característica essencial da arte: a de não permitir nunca a acomodação. Criar é estar inquieto. E isso se dá das mais diversas maneiras, sempre sob a égide um espírito de inconformismo com a realidade circundante que estimula Andréia a criar cada vez mais e melhor.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.