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diárias de bordo

Irmandade primordial

Irmandade primordial
21/09/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é o tema do artista plástico Ricardo Amadasi. A sua gravura sobre resina se dá num cenário idílico de integração da diversidade entre as pessoas e os povos. Seu trabalho remete visualmente à célebre Guernica, de Picasso, pintura na qual o mestre espanhol alerta contra a violência, mostrando a dor de uma cidade bombardeada pela ditadura do general Franco.

Seja pela técnica ou pelo tema, o trabalho de Amadasi mostra como a arte existe para irmanar os seres humanos. Os corpos apresentados se fundem numa alegoria do diálogo sempre possível. A construção de um só povo em um só mundo se dá justamente por uma manifestação visual que entende a humanidade como um conjunto que poderia ser feliz.

Infelizmente, conflitos das mais variadas naturezas impedem que a harmonia proposta pelo artista se propague. As divergências ocorrem das mais diversas maneiras, seja nas relações interpessoais ou nas disputas entre nações, causadas por distintos motivações, isoladas ou combinadas, seja nas esferas da religião, etnia ou ideologia.

Pessoas e animais, como cães e pássaros, e a presença do símbolo protetor do arco-íris se articulam de modo a oferecer ao observador uma espécie de Paraíso terreno, não no sentido mítico, místico ou religioso, mas sim na possibilidade de cada indivíduo ser parte de uma irmandade primordial que poderia funcionar como coletividade. Quem sabe um dia...

 Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.