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diárias de bordo

Densidade profunda

Densidade profunda
20/09/2019

A artista plástica Nora Cristina Rodrigo baseia sua obra visual no papel que a música e o canto ocupam na cultura indígena, pois estão ligadas à religiosidade e a uma comunicação de profunda simplicidade com a natureza. O ponto de partida é uma canção em língua guarani intitulada "Tangará mirim" ou "Imbora Maraeou", que é um passar sagrado que leva ao Criador:

Tangará mirim, tangará mirim Pequeno tangará, pequeno tangará

Nhamandu ourare tamae taetcha Olharei o sol nascente e verei

Nhanderu, nhanderu, nhanderu Nosso criador, nosso criador, nosso criador

Ivy dju, ivy dju, ivy dju Verei a terra sagrada, a terra sagrada, a terra sagrada.

O tríptico pictórico traz o pássaro pousado num galho, depois fundido com um ser humano e, finalmente, a ave sozinha voando. A fusão, que ocorre no elemento do meio, aponta justamente para a possível interação entre a natureza e o ser humano pela busca de algo maior, transcendente, mas que não se sabe exatamente o que seja.

É essa comunhão entre seres humanos e a flora e a fauna que aponta para a possibilidade de um mundo melhor. A caminhada pode justamente ser um voo, que simbolicamente a arte propicia em suas mais diversas manifestações e nos mais variados idiomas e diferentes situações, em uma jornada existencial densa e profunda, como a tela da artista.

 Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.