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Recortes do tempo

Recortes do tempo
16/09/2019

A principal característica da poética visual de Amélia Piza está na forma como ela lida com o espaço e com as cores. A relação que estabelece entre as imagens que cria e o tempo são um importante diferencial. Por meio de áreas recortadas, em que distintos momentos são colocados lado a lado, ergue sua linguagem pictórica.

Alguns elementos se tornam recorrentes em seus quadros mais recentes como as janelas, entendidas como aberturas para o pensamento; os pássaros palhaços, com sua alegria colorida; e as cortinas, que esvoaçam enfatizando o lúdico de transparências e um trabalho aprofundado com as cores, marcado pela ausência de sombras e do preto.

A linguagem da artista de Botucatu, SP, é resultado de intensa pesquisa, com destaque para um pensamento que tem, entre seus pilares, a geometria e os cubistas, principalmente Gris e Braque, pintores basilares para Amélia no desenvolvimento de uma estética própria, intelectualmente construída desde os esboços do desenho até a realização final.

Nos fragmentos das áreas pintadas, objetos aparecem e são retirados parcial ou totalmente devido ao instante flagrado. E tudo isso se dá em imagens cotidianas, como jardins ou mesas de cozinha. Imagens de dia ou de noite são justapostas numa atmosfera delicada e lírica em que os recortes do tempo fazem que o cotidiano recupere sua beleza e magia.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.